A Farsa do Aquecimento Global

19/10/2009

Ou The Global Warming Swindle é o nome de um documentário que foi ao ar no Channel 4 da Inglaterra já em 2007. Desde o ano passado, pode ser visto no YouTube com legendas em português (realizadas pela “Comunidade Olavo de Carvalho”).

Mais do que dizer que o aquecimento global é uma balela, o trabalho deixa indubitavelmente claro – para quem quiser abrir os olhos e ver – que NÃO existe um consenso científico mundial sobre o tema. Há entrevistas com cientistas da Nasa, Cambridge, Oxford, MIT, Universidade de Paris, com o ex-editor da Scientific American, com um dos fundadores do Greenpeace, entre outros. O argumento de que seriam pagos pela “indústria do petróleo” é abordado abertamente.

Tudo é baseado em fatos científicos, afirmados por cientistas renomados e com uma reputação a zelar. Eis alguns dos mais importantes fatos, resumidamente:

- São os ventos solares, e não a concentração de CO2 na atmosfera, que governam a temperatura da Terra;

- No passado, a temperatura da Terra já esteve dois graus mais quente do que hoje;

- É a temperatura da Terra que governa a concentração de CO2 na atsmosfera, e não o contrário;

- As calotas polares congelam e degelam sem parar, com grandes variações ao longo do tempo.

Finalmente, o documentário também mostra que os cientistas que ousam desafiar o “consenso” se arriscam a terminarem precocemente suas carreiras e não mais conseguir verbas para pesquisa em universidades, sendo defenestrados e ignorados por seus pares. Por sinal, fica claro também que a tal revisão por pares do infalível método científico não é à prova de politicagem e ideologias, como algumas pessoas gostam de afirmar.


Música de verdade – parte 1

17/10/2009

Meu caríssimo amigo Galeb me convidou, em tom desafio, a dar maiores explanações sobre meu gosto musical, “Afinal, do que é você gosta e que é tão bom assim?” Farei-o agora com muito prazer.

Tudo começou porque ontem ele ia ver um bizarríssimo e improvável (há dez anos atrás) show duplo do Angra e do Sepultura. E eu, naturalmente – naturalmente – torci o nariz. Depois você me confirma, Galeb, se foi mesmo como reunir as torcidas do São Paulo e do Corinthians no mesmo show. A questão é que eu já gostei de ambas as bandas no passado, nos meus tempos de metaleiro, por assim dizer, e é acima de tudo esse meu anátema ao metal que o magoa e que ele não perdoa. E se quer saber, respondendo a seu irônico comentário: sim, cresci e não consigo mais tolerar esses exageros adolescentes. Parafraseando Bernard Shaw, diria que o homem que aos 15 não é metaleiro é um insensível; e aquele que continua sendo metaleiro depois dos 25 é um canalha. Vinte e seis estourando. Pra te dar uma colher de chá…

Enfim, pra começar por um cd que eu não ouvia há bastante tempo e pus ontem pra tocar justamente antes de ir no bar, e que continua ecoando até agora na minha cabeça e me dando um ânimo intelectual inesperado, tanto que estou escrevendo aqui agora, com frases longuíssimas e cheias de vírgula, veja isto:

Sério. Ouça isso. Spanish Key (no YouTube, duas partes). Pegue uma tarde ou noite em que você esteja meio ansioso e não acha o que fazer ou em que focar a atenção e dedique-se completamente a ouvir essa música e, mais importante, prestar atenção em todos os instrumentos, em todos as filigranas e matizes. É extraordinário e inesgotável. E mais, me arrisco a dizer que esse álbum todo, o Bitches Brew, é o precursor do metal. Sério. Foi um experimentalismo rotulado de jazz rock, e na minha (i)modesta opinião o jazz rock, como gênero e por regra, é um verdadeiro cocô. Mas esse álbum é mais que rock e mais que jazz. E tem uma profundidade e complexidade que só pode ser encontrada no mesmo grau na música clássica. Na clássica, vejam só.

Porque essa é toda a questão. Eu, que comecei a gostar de metal com Iron Maiden por causa das músicas complexas, imprevisíveis e pulsantes de energia e criatividade (e tenho de dizer que continuo apreciando essas características no Iron), depois de um tempo não consegui mais encontrar essa vitalidade no gênero. Tive fases de gostar de power metal, thrash metal e metal melódico, mas depois de um tempo concluí que era tudo lixo. O metal melódico, por sinal, tem como pior defeito ser meloso e cansativo. Devia se chamar metal melósico. É uma criatividade desequilibrada. Um virtuosismo sem foco, uma extravagância mal dosada, que esvazia em vez de preencher. E é preciso ser um rio que flui…

É mais ou menos como Tchaikóvski, na verdade. Tchaikóvski foi a primeira vez que a música erudita realmente me deu um estalo. Vai acompanhando o piano nessa música e veja se não é talvez esse o precursor do metal:

Tem que seguir as mesmas regras de antes, senão não vale. Concentração total e exclusiva e tem que ir até o fim. Deixa fluir. Sinta as inflexões e quebras, os crescendos, a emoção carregada e o rio caudaloso do espírito. Se a partir do 7:25 você não sentir quase vontade de chorar de tanta felicidade, sua alma está morta.

Infelizmente, os vídeos no YouTube têm no máximo 9 minutos e esse primeiro movimento (Allegro non troppo e molto maestoso) tem 21:08. E tem que clicar na parte dois bem num momento chave. O ideal é encontrar a música completa e jogar no fone de ouvido.

A essa altura você vai começar a entender tudo o que eu disse do metal ali atrás. Depois que você absorve e se familiariza com a música clássica, fica escancarada a fragilidade e a superficialidade do metal. É como comparar sexo à punheta. E metal é bem isso mesmo: masturbação me(n)tal (e masturbar a guitarra também).

Enfim, vou dar uma pausa e depois continuo. Só antes de você dar esse passo decisivo na sua vida intelectual e emocional, devo avisá-lo de uma coisa: once you start living music – and life – at full, there’s no turning back! Ou seja, o metal nunca mais vai ser o mesmo. Siga por sua conta e risco…


Gastando o dinheiro dos outros

29/09/2009

Os planos para a Copa do Mundo de 2014 ainda mal entraram no papel e o Rio já investe pesado no marketing para sediar as Olimpíadas de 2016. Enquanto isso, na concorrente Chicago, 87% da população é contra a realização dos Jogos na cidade. Simplesmente porque acredita que investir não tão impressionantes 8 bilhões de dólares para realizar o evento é desperdício de dinheiro. Prefeririam vê-lo aplicado em áreas mais prementes, especialmente por causa das cicatrizes deixadas pela crise. Isso numa cidade que detém o quarto maior PIB do planeta, US$ 460 bilhões, e uma infra-estrutura consolidada em matéria de transportes e planejamento urbano, prováveis alvos da maior parte do investimento.

Voltamos para o Brasil, o país que não tem dinheiro (ou seria vontade política) para pagar salários atraentes, ou nem sequer decentes, para professores e médicos da rede pública, apesar do onipresente discurso de que é preciso investir em educação e saúde. Investem, façamos justiça, mas investem em obras, construções, compra de equipamentos, computadores, nunca nas pessoas, que é o mais essencial. Enquanto se torra desncessários bilhões com novas apostilas corrigidas pela nova ortografia (enriquecendo muitas editoras ex-nanicas por aí), para atrair bons profissionais às escolas e hospitais nunca há dinheiro; afinal, greve é mesmo coisa de vagabundo.

Por que então queimar bilhões de reais na construção de estádios faraônicos em cidades que nem sequer possuem clubes nas divisões principais ou torcidas numerosas, como Cuiabá, Manaus e Brasília? E o Mineirão, não serve para Belo Horizonte?

Em meio à felicidade de dirigentes e políticos, os únicos a levantar a voz foram os presidentes de Internacional, São Paulo e Atlético Paranaense. Mas só quando perceberam que eram eles mesmos que teriam de tirar dinheiro do bolso. Brigaram para ser sede e aguardavam ávidos pela grana do PAC.  Agora vêm dizer o óbvio, ou seja, que não é preciso gastar tantos milhões assim para reformar seus estádios, privados, e que a Fifa e a organização estão exagerando nas exigências.

E tem gente que ainda acha que o Estado está em melhor posição para discernir onde colocar dinheiro… Nessas horas, Estado se torna um conceito abstrato, associado a noções românticas de patriotismo, renúncia pessoal e espírito público. Não as instituições do mundo real que conhecemos, tomadas por arrivistas e aproveitadores.

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Na semana decisiva da escolha da sede das Olimpíadas de 2016, a revista New Yorker publica uma reportagem sobre as gangues que controlam os morros do Rio de Janeiro. Do Jon Lee Anderson, vejam só. É preciso ser assinante para ler, mas dá pra ver algumas fotos da reportagem no site, com uma narração do próprio repórter.


O negócio é manter o meu quinhão – A mídia ‘golpista’ não vence a mídia dos poderosos

17/08/2009

Começamos a semana com novas denúncias a Sarney, o que deve dar mais combustível para a campanha “Fora Sarney”. Mas o que acontece se o Sarney renuncia à presidência do Senado? Muda alguma coisa? Não é uma campanha para ele renunciar ao cargo de senador. É só à presidência da Casa. Ele perde um pouco de poder agora, mas continua como quadro importante do partido para negociar as barganhas e os arranjos para as eleições do ano que vem. Tanto que o Lula continua o preservando e defendendo. Lembram da campanha para tirar Renan Calheiros da presidência do Senado? Depois de muito tempo ele renunciou. Agora compõe a tropa de choque para salvar o bigode.

A questão que importa mesmo é como esvaziar pra valer o poder de sanguessugas poderosos e encastelados como eles. No caso do Sarney, uma das formas seria convencer os maranhenses e amapaenses a pararem de elegê-lo, o que é bem difícil e passaria por minar a influência da sua cadeia de comunicação. O Estado do Maranhão, principal jornal deste Estado, continua fazendo campanha violenta em defesa do seu dono e contra as denúncias, atribuindo-as à imprensa e ao baronato paulista, que só estariam visando derrubar um grande político nordestino e atingir o pernambucano Lula. Fora disso, é torcer para que as investigações do MP continuem e cheguem a alguma condenação concreta. Com cargos, no entanto, Sarney teria imunidade parlamentar.

Um caso semelhante é o de Edir Macedo. Confrontado com as novas denúncias do MP, agora com provas bem mais abrangentes, concretas e passíveis de resultarem em algo, o bispo começou uma campanha contra a Globo. Aproveita-se de pecados antigos e da animosidade da população contra a emissora para fazer de conta que tudo não passa de infâmia e medo da Globo com o crescimento da Record. Ver a Ana Paula Padrão jogando no lixo a sua carreira para defender o bispo é deplorável. Ao mesmo tempo, foram feitas vigílias nas igrejas da Universal em todo Brasil, reunindo centenas de milhares de fiéis em plena madrugada de sexta, contra a rede Globo do demônio. Como se as outras redes, revistas e jornais não estivessem também dando repercussão ao trabalho do Ministério Público, e trazendo novos testemunhos e evidências para qualquer um que queira ver.

Em suma, o que se vê é que todos os poderosos que falam em imprensa golpista, marrom, amarela, fascista, vendida, do capeta etc. (escolha uma das opções) são eles próprios beneficiários do poder da mídia: o Sarney falando em campanha difamatória da mídia, o bispo dizendo que é tudo armação da Globo, o Chapolim Colorado fechando emissoras de rádio e tv na Venezuela visando o monopólio do seu canal estatal bolivariano e, numa dimensão menor, Roberto Requião, vociferando contra a Folha, o Estadão, a Bandeirantes e a RPC na TV Educativa do Paraná. Mas este é peixe pequeno e logo vai embora pra não voltar…


Quem é você pra falar mal dele?

12/08/2009

Vocês provavelmente já conhecem o Wagner & Beethoven. Se não, comecem agora com este post.

E, por favor, não digam: “Quem é você pra se comparar com o Diogo Mainardi?”

Será que é preciso ser sempre didático? Querem que eu desenhe?